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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que empresa petrolíferas americanas estão dispostas a investir “pelo menos 100 bilhões de dólares” (mais de R$ 536 bilhões) na Venezuela e adiantou que participará de uma reunião com essas companhias nesta sexta-feira, 9.

Na Truth Social, rede social da qual é dono, ele também anunciou que cancelou ataques e elogiou o “gesto muito importante e inteligente” do governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, de libertar presos políticos.

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“A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como sinal de “busca pela paz”. Este é um gesto muito importante e inteligente. Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma forma muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás”, escreveu Trump.

“Devido a essa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques anteriormente prevista, que parece não ser necessária; no entanto, todos os navios permanecerão em seus postos por questões de segurança. Pelo menos 100 bilhões de dólares serão investidos pelas grandes empresas petrolíferas, com as quais me reunirei hoje na Casa Branca. Obrigado pela atenção a este assunto!”, concluiu.

Novo acordo

Na quarta-feira 7, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que o governo americano pretende manter controle direto sobre as vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado. Washington, segundo ele, planeja supervisionar a comercialização da produção venezuelana no mercado internacional, numa estratégia que supostamente serviria para pressionar por mudanças políticas no país.

Caso seja implementado, o plano representará uma inflexão relevante na política americana em relação à Venezuela. Desde 2019, ainda durante o primeiro mandato de Trump, Washington impôs sanções severas ao país, incluindo à estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela), o que restringiu drasticamente a produção e as exportações de petróleo — principal fonte de divisas da economia venezuelana.

Mais recentemente, os EUA passaram a adotar medidas semelhantes a um bloqueio parcial, dificultando a saída de petroleiros carregados de óleo venezuelano. A estratégia reduziu a entrada de recursos no país, forçou o acúmulo de petróleo em tanques e navios ancorados e aprofundou a crise econômica, já marcada por hiperinflação, escassez e migração em massa.

A declaração ocorreu um dia após Trump anunciar que a Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos — o equivalente a até dois meses da produção diária venezuelana. Trump acrescentou que o governo americano controlaria os lucros obtidos com essas vendas.

Colocar em prática o plano do presidente americano Donald Trump para uma retomada da combalida indústria petrolífera venezuelana, liderada pelos Estados Unidos, pode ser um processo longo, de vários anos, e desafiador, com custo superior a US$ 100 bilhões.

Anos de corrupção, subinvestimento, incêndios e furtos deixaram a infraestrutura de produção de petróleo do país em ruínas. Reconstruí-la o suficiente para elevar a produção da Venezuela de volta aos níveis máximos da década de 1970 exigiria que empresas, que poderiam incluir a Chevron, a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, investissem cerca de US$ 10 bilhões por ano na próxima década, disse Francisco Monaldi, diretor de política energética para a América Latina no Instituto Baker de Políticas Públicas da Universidade Rice.

— Uma recuperação mais rápida exigiria ainda mais investimentos — afirmou Monaldi.

A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo. Mas a produção despencou durante os 12 anos de mandato do presidente Nicolás Maduro, que foi capturado na madrugada de sábado por tropas dos EUA. O país produz atualmente cerca de um milhão de barris por dia, em comparação com quase quatro milhões de barris em 1974.

 — Foto: Arte O GLOBO
— Foto: Arte O GLOBO

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, em entrevista à ABC no domingo, disse que espera que as companhias petrolíferas dos EUA estejam ansiosas pela oportunidade de explorar o petróleo pesado da Venezuela, fundamental para as refinarias na costa do Golfo americano.

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