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O Supremo Tribunal Federal (STF) sorteou o ministro André Mendonça para assumir o inquérito do Banco Master. Ele substituirá Dias Toffoli, que renunciou à relatoria da investigação nesta quinta-feira (12/2) após uma reunião com os pares.

Com a saída do ministro, o inquérito sobre a suposta fraude de R$ 12,2 bilhões do Master em emissão de títulos de crédito falsos foi redistribuído em sorteio eletrônico. Foi retirado do sorteio, além de Toffoli, o presidente do STF Edson Fachin, que está a cargo de funções administrativas.

O Supremo retirou de Dias Toffoli o inquérito sobre a fraude bilionária do banco Master. Ele era relator desde dezembro de 2025, quando puxou a investigação para o STF a pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. A saída foi acordada entre os ministros da Corte nesta quinta-feira como resposta à escalada da pressão sobre o então relator.

A situação chegou a um impasse na última segunda-feira (9) quando a Polícia Federal (PF) entregou um relatório que liga Toffoli à investigação. O tribunal, entretanto, não reconheceu a suspeição do ministro na nota que informou a saída dele da relatoria. Os ministros analisam que todos os atos dele foram válidos e desprezam a existência de suspeição ou impedimento.

Menções a Toffoli

A relatoria de Toffoli é colocada sob suspeitas pela opinião pública desde que o colunista do jornal “O Globo” Lauro Jardim revelou que o ministro viajou ao lado do advogado do ex-diretor do Master Luiz Antônio Bull. Toffoli e Augusto de Arruda Botelho tomaram um voo privados juntos rumo a Lima, Peru, para assistir à final da Libertadores.

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Quinze dias após assumir a relatoria da investigação, Toffoli autorizou a PF a tomar novos depoimentos, mas restringiu as oitivas às salas de audiência do STF. À época, o ministro justificou que os depoimentos deveriam ser “gravados e acompanhados” pelos juízes auxiliares do próprio gabinete.

Tayayá Resort

Pressionado, Toffoli admitiu, nesta quinta-feira, ser sócio dos irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR). Os irmãos foram sócios do Arleen Investimentos, cujo sócio oculto, segundo revelou o jornal “O Estado de S. Paulo”, é Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, entre setembro de 2021 e fevereiro de 2025.

O ministro, no entanto, negou conhecer Zettel e, ainda, “qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Vorcaro. “Por fim, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, concluiu, em manifestação nesta quinta.

Toffoli também alegou que a sociedade com os irmãos é registrada na Junta Comercial e que faz prestações anuais à Receita Federal. “Todos os atos e informações da (empresa) Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição”, pontuou.

Em nota divulgada depois do encontro, o STF informou que Dias Toffoli – “considerados os altos interesses institucionais” – pediu que o tema fosse redistribuído.

No texto assinado por todos os ministros, a Corte afirmou ainda “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, que reconhecem “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” e que expressam “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.

Na reunião, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, informou aos colegas sobre o relatório da PF, a partir das informações do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com menções ao ministro Dias Toffoli.

O celular de Vorcaro foi apreendido na Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.

Foto : Fellipe Sampaio / STF / CP

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