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A diabetes é uma das doenças crônicas que mais cresce no mundo e, em muitos casos, evolui de forma discreta durante anos. Justamente por apresentar sintomas aparentemente comuns ou pouco intensos, milhares de pessoas convivem com alterações nos níveis de glicose sem saber que já desenvolveram a doença.

Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de pessoas vivem com diabetes sem diagnóstico, aumentando significativamente o risco de complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e oftalmológicas.

Especialistas alertam que identificar os primeiros sinais e procurar avaliação médica precocemente pode fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida.

O que é diabetes?

A diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento da concentração de glicose no sangue devido à produção insuficiente de insulina ou à dificuldade do organismo em utilizar esse hormônio adequadamente.

A insulina é responsável por permitir que a glicose entre nas células para ser utilizada como fonte de energia. Quando esse processo falha, o açúcar permanece circulando na corrente sanguínea, causando danos progressivos a diversos órgãos.

Os principais tipos são:

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  • Diabetes Tipo 1
  • Diabetes Tipo 2
  • Diabetes Gestacional
  • Pré-diabetes

Entre eles, o diabetes tipo 2 representa cerca de 90% dos casos diagnosticados.

Quais são os níveis normais de açúcar no sangue e como prevenir a diabetes?

O diagnóstico da diabetes é feito por meio de exames laboratoriais que avaliam a quantidade de glicose no sangue. O mais utilizado é a glicemia de jejum, cujo resultado considerado normal deve ser inferior a 100 mg/dL. Outro exame fundamental é a hemoglobina glicada (HbA1c), que reflete a média da glicemia dos últimos três meses. Valores abaixo de 5,7% são considerados normais; entre 5,7% e 6,4% indicam pré-diabetes; e resultados iguais ou superiores a 6,5% são compatíveis com o diagnóstico de diabetes, desde que confirmados por avaliação médica.

Especialistas ressaltam que pessoas com resultados próximos ao limite para pré-diabetes devem adotar mudanças no estilo de vida o quanto antes. Melhorar a alimentação, praticar atividades físicas regularmente e manter acompanhamento com um profissional de saúde são medidas que podem retardar ou até evitar a evolução da doença.

Atualmente, sociedades médicas recomendam que adultos a partir dos 35 anos, especialmente aqueles com excesso de peso, histórico familiar ou outros fatores de risco, realizem exames periódicos para rastreamento da diabetes. Além da glicemia de jejum e da hemoglobina glicada, a glicemia capilar — o teste rápido realizado com uma gota de sangue na ponta do dedo — também pode auxiliar na identificação de alterações quando indicada por um profissional.

Embora a herança genética aumente a predisposição ao diabetes tipo 2, ela não determina, por si só, o desenvolvimento da doença. Pesquisas mostram que hábitos saudáveis reduzem significativamente esse risco, mesmo entre pessoas com forte histórico familiar. Em outras palavras, fatores como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e controle do peso exercem papel decisivo na prevenção.

As principais medidas recomendadas pelos especialistas incluem manter o peso corporal dentro da faixa saudável, praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, fibras e grãos integrais, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, evitar o tabagismo, controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol, dormir adequadamente e realizar exames preventivos de forma regular. Essas atitudes ajudam não apenas a diminuir o risco de diabetes, mas também de doenças cardiovasculares e outras condições crônicas.

10 sintomas silenciosos da diabetes que muitas pessoas ignoram

1. Sede excessiva durante o dia

Um dos primeiros sinais é sentir muita sede, mesmo consumindo água regularmente.

O excesso de glicose faz o organismo eliminar maior quantidade de líquidos pela urina, aumentando a necessidade de reposição hídrica.


2. Vontade frequente de urinar

Levantar várias vezes durante a madrugada para urinar pode indicar alteração na glicemia.

Quando o açúcar no sangue está elevado, os rins trabalham mais para eliminar esse excesso.


3. Cansaço constante

Mesmo após uma boa noite de sono, muitas pessoas relatam fadiga persistente.

Isso acontece porque a glicose não consegue entrar adequadamente nas células, reduzindo a produção de energia.


4. Visão embaçada

Oscilações nos níveis de glicose podem alterar temporariamente o cristalino dos olhos, provocando visão turva.

Quando não tratada, a diabetes também aumenta o risco de retinopatia diabética.


5. Cicatrização lenta

Feridas pequenas que demoram semanas para cicatrizar merecem atenção.

A glicemia elevada prejudica a circulação sanguínea e dificulta o processo natural de regeneração da pele.


6. Infecções recorrentes

Infecções urinárias frequentes, candidíase e problemas de pele podem estar relacionados ao diabetes.

O excesso de açúcar favorece a proliferação de bactérias e fungos.


7. Formigamento nas mãos e nos pés

Dormência, sensação de choque ou formigamento podem indicar neuropatia diabética em estágio inicial.

Esse sintoma costuma surgir lentamente e muitas vezes é confundido com problemas de circulação.


8. Fome excessiva

Mesmo após refeições completas, algumas pessoas continuam sentindo fome.

Como a glicose não é utilizada corretamente pelas células, o cérebro interpreta que o organismo ainda necessita de energia.


9. Perda de peso sem explicação

Perder peso rapidamente, sem dieta ou atividade física, pode ser um sinal importante, especialmente no diabetes tipo 1.

O organismo passa a utilizar gordura e massa muscular como fonte alternativa de energia.


10. Escurecimento da pele em algumas regiões

Manchas escuras no pescoço, axilas ou virilha podem indicar resistência à insulina.

Essa condição, conhecida como acantose nigricans, é considerada um importante marcador de pré-diabetes.


Quem possui maior risco de desenvolver diabetes?

Alguns fatores aumentam significativamente o risco da doença.

Entre eles:

  • Histórico familiar
  • Sobrepeso ou obesidade
  • Sedentarismo
  • Hipertensão arterial
  • Colesterol elevado
  • Alimentação rica em ultraprocessados
  • Idade acima dos 45 anos
  • Síndrome dos ovários policísticos
  • Diabetes gestacional anterior

Quando procurar atendimento médico?

A recomendação dos especialistas é procurar atendimento sempre que dois ou mais desses sintomas estiverem presentes, especialmente em pessoas com fatores de risco.

O diagnóstico costuma ser realizado por meio de exames laboratoriais como:

  • Glicemia de jejum
  • Hemoglobina glicada (HbA1c)
  • Teste oral de tolerância à glicose

O tratamento precoce reduz significativamente o risco de complicações.

Quais complicações podem surgir?

Quando não controlada, a diabetes pode provocar:

  • Infarto
  • AVC
  • Insuficiência renal
  • Perda da visão
  • Neuropatia
  • Pé diabético
  • Amputações
  • Doença cardiovascular

Essas complicações normalmente aparecem após anos de glicemia elevada sem controle adequado.

Como reduzir o risco de desenvolver diabetes?

Embora fatores genéticos influenciem o aparecimento da doença, mudanças no estilo de vida reduzem significativamente o risco.

As principais recomendações incluem:

  • Alimentação equilibrada
  • Redução do consumo de açúcar e bebidas açucaradas
  • Controle do peso corporal
  • Atividade física regular
  • Sono adequado
  • Não fumar
  • Realizar exames preventivos periodicamente

O que dizem os especialistas?

De acordo com entidades médicas nacionais e internacionais, o diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para evitar complicações graves.

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que pessoas com fatores de risco realizem acompanhamento médico periódico e exames laboratoriais conforme orientação profissional.

Já a Organização Mundial da Saúde destaca que hábitos saudáveis podem prevenir uma parcela significativa dos casos de diabetes tipo 2.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quais são os primeiros sintomas da diabetes?

Os sinais mais comuns incluem sede excessiva, aumento da frequência urinária, fadiga, fome constante, visão embaçada e perda de peso sem causa aparente.


É possível ter diabetes sem apresentar sintomas?

Sim. Muitas pessoas permanecem anos sem perceber alterações, motivo pelo qual exames preventivos são fundamentais.


O diabetes tem cura?

Atualmente, não existe cura definitiva para a maioria dos casos. No entanto, a doença pode ser controlada com alimentação adequada, atividade física, medicamentos e acompanhamento médico.


Quem deve fazer exames de glicemia?

Adultos acima de 35 anos, pessoas com excesso de peso, hipertensão, colesterol elevado, histórico familiar ou outros fatores de risco devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de rastreamento.


Pré-diabetes pode voltar ao normal?

Em muitos casos, sim. Mudanças no estilo de vida, como perda de peso, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos, podem normalizar a glicemia e reduzir o risco de evolução para diabetes tipo 2.


Comer muito açúcar causa diabetes?

O consumo elevado de açúcar, por si só, não é a única causa. O desenvolvimento da doença depende da interação entre fatores genéticos, excesso de peso, sedentarismo e hábitos alimentares. Ainda assim, reduzir alimentos e bebidas ricos em açúcares adicionados é recomendado para a saúde geral.


Conclusão

A diabetes pode evoluir silenciosamente durante anos antes de provocar sintomas mais evidentes. Reconhecer sinais como sede excessiva, fadiga persistente, visão embaçada e cicatrização lenta permite buscar avaliação médica mais cedo e iniciar o tratamento quando necessário.

Embora alguns fatores de risco não possam ser modificados, como idade e histórico familiar, a adoção de hábitos saudáveis e a realização periódica de exames são medidas importantes para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.

Referências bibliográficas: SBD, Ministério da Saúde, OMS e ADA.

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