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Ao avaliar o cenário político do hemisfério, Rubio afirmou que a região conta hoje com uma coalizão de mais de uma dezena de países classificados como parceiros “amigáveis” dos EUA em temas de segurança e economia. Em seguida, citou Brasil, Cuba, Nicarágua e Venezuela como exceções a esse grupo, além de apontar a Colômbia como um caso “problemático” sob o governo de Gustavo Petro.

“Agora temos nesse hemisfério uma coalizão de países amigáveis – mais de 12 – que se alinharam para trabalhar não só em questões de segurança que todos temos em comum, mas também na prosperidade econômica, que vai de mãos dadas. É uma história incrível que, basicamente excluindo Nicarágua, Cuba e Venezuela – que continua com alguns desafios- e claro, também o Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e de certa maneira o governo atual na Colômbia, pelo menos o presidente tem sido problemático – agora é uma região cheia de aliados americanos, líderes amigáveis aos EUA e uma direção amigável aos EUA”, afirmou o secretário de Trump.

A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre o Brasil e os EUA. Na semana passada, o governo norte-americano atendeu a um pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e anunciou a classificação do PCC e do CV como “organizações terroristas estrangeiras”, medida que gerou críticas do governo Lula, que é contrário à designação.

Além disso, ontem (1º), os Estados Unidos concluíram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos. Como resultado, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Nesta segunda (1º), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil.

A declaração chama atenção porque coloca o Brasil na mesma relação de países frequentemente criticados por Washington por seu distanciamento político dos Estados Unidos. Embora Rubio tenha citado o atual ciclo eleitoral brasileiro como um fator de contexto, a mensagem transmitida foi clara: o governo brasileiro não é visto hoje pela principal autoridade diplomática americana como parte do grupo de países alinhados aos interesses estratégicos dos EUA na região.

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Recado direto a Brasília

fala representa um dos posicionamentos mais duros já feitos por um integrante de alto escalão do governo americano em relação ao Brasil desde o início da atual administração brasileira.

Ao elogiar a maioria dos governos latino-americanos e separar nominalmente Brasil, Cuba, Venezuela e Nicarágua desse grupo, Rubio sinalizou que Washington vê Brasília mais distante de sua agenda regional do que seus principais parceiros continentais.

O secretário também afirmou que os Estados Unidos precisam recuperar espaço na América Latina após duas décadas de “negligência”, período que, segundo ele, permitiu o avanço da influência chinesa no continente. Na visão de Rubio, o fortalecimento de governos alinhados aos EUA é parte fundamental dessa estratégia.

Rubio também defendeu que os Estados Unidos aproveitem o atual contexto político regional para ampliar sua influência. Segundo ele, após duas décadas de “negligência”, outras potências, especialmente a China, avançaram sobre espaços estratégicos na América Latina.

Lula reage e critica secretário dos EUA

Também nesta terça-feira (2), em discurso na cidade Catalão (GO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu às declarações e voltou a criticar Marco Rubio. Durante a inauguração de uma nova sede do Instituto Federal Goiano (UFG), o presidente brasileiro afirmou que o secretário de Estado é “anti-América Latina” e mantém posições hostis em relação a diversos países da região.

“Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos”, declarou Lula.

O presidente também afirmou já ter dito diretamente a Donald Trump que considera que o republicano não tem simpatia pelo Brasil. “Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil”, relatou.

Lula também responsabilizou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela nova investida dos EUA. “São uns vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disse.

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