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Manaus/AM- O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus convocou uma coletiva de imprensa para a manhã desta quarta-feira (5) e para tratar da possibilidade de uma nova greve dos ônibus do transporte coletivo caso os salários da categoria não sejam pagos até a próxima sexta-feira (7), quinto dia útil do mês.

Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, a categoria decidiu manter apenas 30% dos coletivos em circulação caso as empresas não regularizem o pagamento dos funcionários dentro do prazo estabelecido.

Uma nova greve deve afetar diretamente milhares de usuários do transporte coletivo de Manaus, que dependem dos ônibus para trabalhar, estudar e realizar outras atividades diárias.

Além dos salários, os trabalhadores cobram o pagamento da cesta básica, cujo benefício, segundo o sindicato, é de R$ 1.300.

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Givancir afirmou que o atraso atinge não apenas motoristas e cobradores, mas também funcionários dos setores administrativo, logística, serviços gerais e demais profissionais que atuam nas empresas de transporte.

“O quinto dia útil é o prazo para o pagamento, e isso não foi cumprido. É uma vergonha um pai de família trabalhar o mês inteiro e não ter dinheiro para colocar comida na mesa”, afirmou.

A ameaça ocorre poucas semanas após a greve de três dias realizada entre 20 e 22 de julho, motivada justamente pelo atraso salarial. Na ocasião, milhares de passageiros enfrentaram longas filas, ônibus lotados e redução da frota, enquanto a Justiça determinou a circulação mínima de veículos para tentar minimizar os impactos à população.

“É uma humilhação muito grande para um pai de família que trabalha, produz, acorda de madrugada para trabalhar e chega no final do mês sem receber o salário. Com isso, todos os seus compromissos entram em atraso, geram juros, e quem paga essa conta é o trabalhador”, afirmou.

O dirigente destacou que a categoria já havia comunicado previamente sobre a possibilidade de paralisação caso os salários continuassem sendo pagos com atraso.

“Nós avisamos com dez dias de antecedência. Se não houvesse o pagamento na data correta, iríamos cruzar os braços. E vamos fazer isso. Doa a quem doer”, declarou.

Questionado sobre as justificativas apresentadas pelas empresas de transporte coletivo, Givancir afirmou que cabe aos empresários resolverem os problemas financeiros junto aos órgãos competentes.

Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, os trabalhadores ainda não receberam qualquer confirmação das empresas sobre o pagamento, o que aumenta a possibilidade de uma nova paralisação.

“O meu papel é cobrar o pagamento dos trabalhadores. Eles dizem que estão no vermelho, mas isso não é problema da categoria. Se não pagar em dia, a gente para”, disse.

De acordo com o presidente do sindicato, caso o pagamento não seja efetuado até o fim desta quarta-feira, a paralisação será iniciada nas primeiras horas da manhã de quinta-feira.

“Com certeza, amanhã 70% da frota vai parar. A categoria deve cruzar os braços em protesto contra os constantes atrasos de pagamento que tanto prejudicam os trabalhadores”, reforçou.

De acordo com o STTRM, o depósito dos salários precisa ser efetuado ainda nesta quarta-feira para evitar a greve dos ônibus. Caso isso não ocorra, apenas 30% da frota permanecerá em circulação, conforme determina a legislação para serviços considerados essenciais.

Procurado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que ainda apura a situação e não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

A possibilidade de uma nova paralisação ocorre pouco mais de duas semanas após a última greve da categoria. Na ocasião, o movimento foi encerrado depois que o Governo do Amazonas realizou o repasse de R$ 18 milhões destinados ao pagamento de parte dos subsídios do sistema de transporte coletivo.

Ainda durante a negociação, Givancir Oliveira já havia alertado que novas paralisações poderiam ocorrer caso os atrasos voltassem a comprometer o pagamento dos trabalhadores.

Caso a paralisação seja confirmada, milhares de passageiros devem ser afetados pela redução da circulação dos ônibus em Manaus. Até o momento, as empresas responsáveis pelo transporte coletivo não haviam se manifestado sobre o pagamento dos salários.

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