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Estado registrou 1.380 ocorrências de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, alta de 271% em relação a 2025; 36 municípios estão em situação de emergência e fumaça afeta Manaus.

O avanço dos incêndios florestais no Amazonas levou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a classificar a situação como “mais grave do que imaginava”. A declaração foi feita no domingo (11), após um sobrevoo por áreas atingidas pelo fogo, incluindo a região de Autazes, no interior do estado.

O cenário combina o aumento expressivo das ocorrências de incêndio, a presença de chamas em áreas de floresta preservada e a piora da qualidade do ar em Manaus. Na capital, a fumaça voltou a encobrir a cidade, enquanto autoridades reforçam as operações de combate e as orientações para reduzir a exposição da população aos poluentes.

Durante a visita, Capobianco afirmou ter observado focos de fogo em áreas de difícil acesso e no interior de trechos preservados da floresta. Para o ministro, a localização dos incêndios levanta suspeitas de ação humana deliberada para degradar a vegetação. A eventual responsabilidade criminal, no entanto, depende de apuração pelos órgãos competentes.

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“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos”, declarou o ministro, ao defender a responsabilização de quem provocar incêndios ilegais.

Amazonas registra alta de 271% nos focos de incêndio

Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam que o Amazonas registrou 1.380 ocorrências de incêndio entre 1º e 10 de outubro de 2026. No mesmo intervalo de 2025, foram contabilizados 372 registros, o que representa aumento de 271%.

A distribuição das ocorrências mostra que a maior parte foi identificada em áreas públicas. Do total registrado no período, 1.186 ocorrências foram classificadas nessa categoria, enquanto 93 ocorreram em propriedades privadas e 101 em áreas sem definição fundiária.

O painel também identificou 174 registros em áreas associadas ao desmatamento. Esse dado não significa, isoladamente, que todos os incêndios tenham sido provocados com essa finalidade: a identificação das causas depende da análise de cada ocorrência.

A elevação dos registros reforça a preocupação com a propagação das chamas em um período de estiagem, quando a vegetação seca favorece a expansão do fogo.

Governo federal mobiliza aeronaves e brigadistas

Diante da dimensão dos incêndios, o governo federal anunciou o reforço das operações no Amazonas. Conforme balanço divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente em 12 de outubro, foram mobilizadas 11 aeronaves e 290 brigadistas para apoiar o combate ao fogo no estado. Seis aeronaves já haviam chegado e estavam integradas às operações.

O Ibama informou que, desde o início da temporada de incêndios, havia extinguido 282 incêndios no Amazonas e continuava atuando em outros oito focos ativos, segundo atualização do ministério publicada na segunda-feira (12).

A operação reúne órgãos federais e estaduais e inclui monitoramento, deslocamento de equipes e emprego de aeronaves para alcançar áreas onde o acesso por terra é difícil.

O reforço ocorre em meio ao reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios amazonenses. A medida permite que as localidades atendam aos procedimentos para solicitar apoio federal destinado às ações de resposta aos incêndios e aos impactos provocados pela crise.

Fumaça compromete a qualidade do ar em Manaus

A capital amazonense está entre as áreas afetadas pela fumaça proveniente dos incêndios. A concentração de partículas finas na atmosfera preocupa autoridades de saúde e ambientais porque esses poluentes podem penetrar profundamente no sistema respiratório.

O monitoramento realizado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou níveis elevados de material particulado em Manaus durante o episódio. Indicadores internacionais de qualidade do ar também apontaram condições críticas na cidade.

A fumaça pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, desconforto respiratório e agravamento de doenças como asma e bronquite. Pessoas idosas, crianças, gestantes e indivíduos com doenças respiratórias ou cardiovasculares precisam ter atenção redobrada.

Para reduzir a exposição, as recomendações incluem evitar exercícios físicos ao ar livre durante períodos de fumaça intensa, permanecer em ambientes fechados sempre que possível e utilizar máscaras PFF2 ou N95 bem ajustadas ao rosto quando for necessário sair.

Em caso de falta de ar intensa, dor no peito ou piora importante dos sintomas, a orientação é procurar atendimento médico.

Por que os incêndios se espalham com tanta facilidade?

O período de estiagem costuma favorecer o uso do fogo em atividades como limpeza de áreas já abertas e renovação de pastagens. Quando realizado sem autorização ou controle adequado, esse tipo de prática pode provocar incêndios que se espalham para a vegetação ao redor.

A situação se agrava quando há pouca chuva e a vegetação permanece ressecada. Folhas, galhos e capim secos funcionam como combustível, permitindo que as chamas avancem com maior facilidade.

Além disso, a falta de precipitação reduz a remoção de partículas da atmosfera, enquanto as condições de vento influenciam o deslocamento da fumaça entre municípios e áreas urbanas.

O fenômeno climático El Niño pode contribuir para temperaturas elevadas e mudanças no regime de chuvas, mas a origem e a intensidade de cada incêndio dependem de uma combinação de fatores climáticos e atividades humanas.

Uso do fogo está proibido no Amazonas

Em setembro, o governo estadual decretou a proibição do uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias, como medida para conter queimadas e reduzir o risco de incêndios florestais durante a estiagem.

O Ministério Público de Contas do Amazonas também pediu apuração sobre a efetividade das ações estaduais de prevenção e combate às queimadas e aos episódios de poluição. A iniciativa busca examinar as medidas adotadas pelo poder público diante dos impactos ambientais.

Enquanto as equipes trabalham para controlar os focos ativos, o monitoramento das áreas atingidas e a investigação das causas são fundamentais para orientar novas medidas e identificar eventuais responsáveis.

A crise também evidencia a importância de combinar ações emergenciais de combate ao fogo com fiscalização, prevenção e acompanhamento da qualidade do ar, especialmente nas regiões mais vulneráveis aos incêndios.

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